A Argila

20/08/2013 § Deixe um comentário

Ceramista

Em aquele entardecer da criação, senti passos no jardim. Era ele, o Senhor da Criação. Acontece que, nesse entardecer, Ele parou, inclinou-se, com um olhar carregado de amor. E, de repente, juntou-me do chão, a mim, pobre e pequeno punhado de terra e ficou a me olhar pensativo… Remexeu-me longamente… longamente… com todo carinho!

E, então, começou a me amassar: primeiro, retirou de mim uma porção de impurezas que atrapalhavam: pedrinhas, pedacinhos de pau, ciscos, etc. E fui ficando terra pura, do Seu gosto. Fez ainda operações, que eu não compreendia, nem poderia compreender: “Pode por acaso um vaso dizer ao oleiro: eu entendo disso mais do que você?” (Is 29, 16)1.

Eu nada perguntei. Oferecia simplesmente o meu ser em disponibilidade de amor. Deixava-me trabalhar. Deixava que Ele me fizesse. Porque eu sabia que era obra Sua e que Ele transformava com amor. De fato, fui tomando forma. Uma forma à maneira Sua, à Sua imagem! Para que haveria eu de servir no futuro?

Eu não o sabia. “Como argila nas mãos de um oleiro, assim estava eu em Suas mãos” (Jr 18,6)2. E fui-me tornando obra de Deus. E Ele aplicava Seu coração em aperfeiçoar-me, pondo cuidado vigilante em tornar-me bela e perfeita” (Eclo 38, 31)3.

Depois, veio uma etapa difícil, porque fui a um forno superaquecido que ao barro veio dar força e consistência. É o calor e o valor de minha vida que leva a bom termo a obra de Suas mãos, o Senhor Criador. A cada vaso muito querido, Ele dá contornos de eternidade.

Então, comecei a olhar em torno de mim. E descobri outros vasos que Suas hábeis mãos e cheias de amor haviam amassado e modelado artisticamente. Sem se cansar, dava Ele mais outra demão àqueles que não haviam saído bem. Cada um tinha sua forma e sua cor, sem dúvida, isso conforme o destino de cada um no mundo. Mas, do mais humilde ao mais rico, todos eram lindos, todos bem feitos. Ele nos tinha feito como ele bem o desejava…

Pode, por ventura, um vaso perguntar ao oleiro: por que me fizeste assim? Não tem o oleiro poder sobre o barro para fazer da mesma argila um vaso de uso nobre e outro de uso vulgar?” (Rm 9, 20-21)4.

Ó Oleiro Divino, Criador e Pai, permite que se cumpra em mim a obra que começaste. Seja meu projeto o teu projeto sobre mim! Amém.

(Autor Desconhecido)

1 Que perversidade a vossa! Pode-se tratar como barro o oleiro? Pode a obra dizer do artífice: Ele nada me fez? Pode o pote dizer do oleiro: Ele nada entende disso?.
2 O que é a argila em suas mãos, assim sois vós nas minhas, Casa de Israel
3 Ele aplica o seu coração em aperfeiçoar a sua obra, e põe um cuidado vigilante em torná-la bela e perfeita.
4 Mas quem és tu, ó homem, para contestar a Deus? Porventura o vaso de barro diz ao oleiro: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro poder sobre o barro para fazer da mesma massa um vaso de uso nobre e outro de uso vulgar?

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